Congregação Cristã e musicalidade sacra: "hinos avulsos"

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Congregação Cristã e musicalidade sacra: "hinos avulsos"

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Dom Dez 02, 2012 3:31 pm


Saudações cristãs,

Amados...




Embora periodicamente admoestados quanto ao caráter impróprio e/ou espúrio dos denominados "hinos avulsos", muitos de nossos irmãos (incluindo-se músicos) persistem, não apenas na propagação daqueles já em circulação, como na composição ou autoria de peças ainda inéditas.

Em face disso, e atentando aos apelos de ordem técnico-musical (conforme reiteradas solicitações*), pareceu adequado a nosso Corpo Ministerial Central - em parceria com os setores afins - deliberar pela publicação de nosso hinário oficial em sua edição de número V.

Portanto, além das adaptações, supressões ou adendos identificados como imprescindíveis ao executante (músico), priorizou-se o acréscimo de poesias e melodias até então ignorados por nosso público (algumas em uso corrente pela "Christian Congregation in the United States").

A ampliação de nosso restrito "leque" visa, portanto, o amenizar da carência alegada (1).

De qualquer modo, os acréscimos efetuados mantêm-se inalterados quanto à origem e estilo: hinódia de orientação anglo-germânica, com ênfase às cançonetas ítalo-americanas.

Nesse mesmo sentido, destacam as equipes revisoras, a necessidade de se ater a nosso protótipo-base: "Inni e Salmi Spirituali" (2) como um patrimônio perpétuo, de modo que nenhuma alteração - escrita ou melódica - o comprometa naquilo que lhe é peculiar.


Do "avulso" ao "gospel"

Daí, a acirrada resistência de nossos Anciãos (e mesmo membros do corpo musical) quanto aos "hinos avulsos" e seu notório tendencionismo pós-moderno. A sonoridade "gospel" descaracteriza e denigre a musicalidade sacra tanto em suas fontes quanto em seu caráter devocional-litúrgico.

Há alguns anos, em entrevista cedida a uma revista do gênero evangélico, Aline Barros declarou a abolição das “marchinhas” (referindo-se a hinologia clássica) e a consolidação do “gospel” como a modalidade musical evangélica por excelência...

E de fato, muitas denominações têm abdicado dos seus tradicionais hinários – ou quando muito, relegando-os a uma categoria secundária ou assessória – introduzindo em sua “práxis litúrgica” os mais obscuros elementos e arranjos, muitos dos quais importados do repertório secular/profano. Temos assim, o “sertanejo-cristão”, o “forró-cristão”, o “funk-cristão”, o “tecno-cristão”, entre outros.

Em retrospecto, as origens do “gospel” apontam para iniciativas de cunho particular ou isolado, à semelhança de nossas atuais “produções paralelas” (ditas “avulsas”).

O “avulso”, portanto, culmina no “gospel”.

O veto aos “avulsos” tem como consequência imediata a sua marginalização ou proscrição, não lhes sendo facultada a execução em quaisquer de nossas casas de oração e demais recintos oficiais. Isso, contudo, resulta num estágio de clandestinidade potencialmente trágico.

Seus ensaios e divulgação geralmente ocorrem em encontros extraoficialmente convocados e sob acompanhamento instrumental de menor realce. Apelativamente emocionais, conduzem os presentes à predisposição sugestiva, disseminando-se (ao seu término ou em seu transcorrer) propostas e projetos cujo teor visivelmente subversivo tem por escopo o aliciamento - sobretudo juvenil.


“Avulsos”: aspectos qualitativos

Os “avulsos” apresentam um duplo déficit: elaboração poética inferior (incoerências ortográfico-gramaticais, rima, proporção, etc) e elaboração melódica (simplismo, repetitividade, plágio, etc). Por essa mesma razão foram prontamente descartados ao se sugerir sua inserção em nosso hinário oficial - edição de número V.


“Avulsos”: conteúdo sacrílego

Embora a maioria dos “avulsos” se revista de um caráter limitadamente afetivo-terapêutico, alguns incorrem em conjecturas hermenêutico-exegéticas consideravelmente alheias ao nosso tradicional cabedal (revelacionismo profético, especulacionismo escatológico, restauracionismo, etc.).

Identificaram-se ainda equívocos relativos à:

- Escrituras

As Escrituras são (“ipsis litteris”) apresentadas ou descritas como sendo “A Palavra de Deus”, e não como contendo o seu infalível depósito (Estatuto, cap. II, art. XX; art. XXII:I)

- Cristo e seu Senhorio

Constataram-se eventuais alusões a Cristo e seu Senhorio de forma diversa daquela regularmente acatada (Pós Sacrifício Vicário - Tópicos e Ensinamentos, 1969).

- Sacramento do Batismo

Referências a uma concepção batismal meramente emblemática e não sacramental-regeneratória (ordenança simbólica).


“Avulsos” e oportunismo comercial

Além dos fatores anteriormente apontados, os “avulsos” tem fornecido aos seus compositores e/ou autores uma rentável via lucrativa. A gravação de CD´s e aplicativos sob valor pré-fixado já desponta como uma atividade em expansão.


Medidas interventivas

Tendo em vista que os alvos mais vulneráveis ao inovacionismo e a relativização é a fração jovem, nossos Anciãos tem intensificado sua ação cautelar junto a mesma. O oposicionismo apóstata e seus sutis artifícios tornaram-se uma temática recorrente em praticamente todas as RJM e RM. Deste modo, nossos jovens são advertidos no tocante a reuniões ou eventos extraoficialmente promovidos e os riscos inerentes.

A aquisição de CD´s ou dispositivos de conteúdo “avulso” também é classificada como transgressiva e, portanto, sujeita a penalidades variáveis.

Proprietários de algumas distribuidoras de produtos e artigos, como aquelas adjacentes à Casa de Oração - Sede Administrativa (Brás), encontram-se de sobreaviso em relação à questão posta.

________________
*provenientes de integrantes do corpo musical regular - em seus diversos níveis ou funções - devido a dificuldades relativas à execução de determinadas peças e sua complexidade estrutural.
(1) apesar da objeção de diversos irmãos ao se considerar que sequer a presente coletânea (450 hinos) é integralmente aplicada.
(2) Parcialmente traduzido por Paulo Leivas Macalão (Assembleia de Deus - Ministério de Madureira) e posteriormente adicionado à “Harpa Cristã” - estando esta última em gradual desuso. Um dos efeitos colaterais atribuídos ao “gospel” e sua popularização.




Atenciosamente,

“Em Caridade”

Irmão Ednelson

"Ekklésia Christiana"

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