Congregação Cristã e festividades pagãs: Páscoa

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Congregação Cristã e festividades pagãs: Páscoa

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Qui Abr 05, 2012 12:05 pm



Saudações cristãs,

Amados...




Sendo a Páscoa (hb. transl.: “Pessach” - passagem / travessia) uma celebração de origem judaica, seria adequado ou lícito classifica-la como “pagã”?.

Bem, no que se refere à Páscoa judaica incorreríamos em precipitação, uma vez que o próprio Cristo - enquanto hebreu - a observou em cumprimento ao código - em toda a sua extensão.





Refeição pascal judaica

(da servidão egípcia para o êxodo)



Após tê-la comido, porém, encerra-se a Dispensação Veterotestamentária instaurando-se o Novo Pacto. Daí, a paralela e subsequente instituição do Memorial Anual da Paixão e Morte (Santa Ceia).

É sabido que a “ekklésia” nascente ateve-se a observância deste recém estabelecido preceito, em sua regularidade proposta (caráter anual) distinguindo-o, todavia, de seus ágapes periódicos ou refeições em comuna (gr. transl.: “klasei tou artou” – “a fração do pão”*).

Deste modo a Páscoa Judaica é gradualmente suprimida e fadada ao desuso. Nos dizeres de Paulo nossa Páscoa é Cristo, o sacrificado** (I coríntios 5:7).


A “Pascoa Cristã”: origens e desenvolvimento - antecedentes pagãos


Segundo registros disponíveis, a denominada “Páscoa Cristã” remonta a meados de 120 E.C. (Período Pós-apostólico). A partir de então, a população “cristã” passa a rememorar a épica passagem “morte-ressurreição” em caráter oficial ou propriamente litúrgico.

Com a consolidação dos Mistérios Eleusinos e Mitráicos ao longo de todo o Império Romano, ocorre a sua previsível introdução no seio eclesial. Muitos dos então presbíteros-epíscopos em exercício dispunham de dupla filiação, sendo igualmente iniciados em tais práticas.

Disto decorre a paulatina descaracterização da celebração inicialmente proposta, inserindo-lhe conceitos e traços essencialmente pagãos (gentios).

Em correlação com a narrativa egípcia referente à morte e ressurreição de Hórus (equivalente ao Tamuz sumério-fenício) as divindades solares passam a figurar como análogas ao Cristo (1), de modo que o paralelismo sincrético consolida-se como prática comum (apesar de extraoficial).

Deste modo, as divindades greco- romanas Eos e Ceres associam-se a nórdico-germânica Eostre (2), cujos festivais primaveris coincidem com a “Pessach” judaica e “cristã”, favorecendo-se o intercâmbio entre ambas.

Eostre (tal qual Ceres) preside a fertilidade e/ou fecundidade. O solo inerte (alusivo a Gaia) investido pelos raios solares germina e floresce. Semelhantemente o Cristo, após descer ao submundo, regressa em vitalidade áurea.





Ceres / Deméter

(Fertilidade e Fecundidade)


Como baluarte da fertilidade, Eostre é tradicionalmente representada portando alguns ovos. Seu animal distintivo - desde a antiguidade classificado como exímio reprodutor - é o coelho ou lebre. Dessas similitudes alegóricas, introduziu-se o ovo como emblema pascal “cristão”: assim como o animal irrompe a casca ou invólucro, Cristo transpõe aquele que o aprisionava a morte (o sepulcro). Embora coloridos, os ovos pascais devem apresentar tonalidades ligeiramente douradas (divindades solares).





Eostre / Ostera

(tendo em mãos o ovo e o coelho aos pés)



Ao arquétipo morte-ressurreição se deve, por exemplo, a celebração batismal exclusivamente ministrada durante a Páscoa (primórdios medievais). Após concluídas as etapas previstas - além do jejum compulsório - o catecúmeno era conduzido à Vigília Pascal (sábado) cuja estrutura cerimonial incluía a concessão do sacramento aos respectivos postulantes.

Além do ovo e o coelho, elementos como a âncora e o girassol também são utilizados como símbolos secundários.


Desencontros cronológicos


A semelhança do que ocorre para com as Celebrações Natalinas, católicos romanos e ortodoxos orientais divergem quanto ao aspecto cronológico. Tendo por base o Calendário Juliano, as populações ortodoxas orientais se atém ao domingo seguinte à lua cheia do equinócio da primavera, isto é, após o dia 21 de março e, portanto, posteriormente à Páscoa Judaica.


Congregação Cristã e posição regular


Conforme sabemos, a Congregação Cristã se opõe à celebração pascal sob uma dupla perspectiva.

I - A “Pessach” judaica encontra-se - com o advento da Nova Dispensação - relegada a supressão e/ou extinção. Doravante, o Memorial Anual da Paixão e Morte o suplanta como observância oficial e perpétua.

II - A “Páscoa Cristã” por sua vez incorre em desatinos os mais variados. Primeiramente, equivoca-se ao propor-se a reinstaurar uma ordenança já revogada, e de ordem exclusivamente semita. Além disso, acrescenta-lhe concepções e caracteres oriundos do paganismo pregresso, o que a torna, por si só, sacrílega.

Tópicos emitidos discorrem sobre (Septuagésima Quinta Assembleia Geral - 1991 / Tópico XI) e no tocante à ingestão de ovos pascais, indica-se o procedimento oportuno (1983 / tópico XIII).

No mais, tendo-se como parâmetro um histórico retrospecto, compete-nos discernir e abster-se daquilo que nos possa comprometer em nossa espiritual integridade.


_________________________
* refeições informais e comuns a toda a população meso-oriental / mediterrânea (à base de pão).
** Analogia extensivamente aplicada por nossos Anciãos quanto à observância sabática (Quinquagésima Sétima Assembleia Geral – 1992 / tópico XX).
(1) Daí o “Natalis Solis Invictus”.
(2) Ou Ostera, Eostra, Eostrae, Eastre, Estre e Austra. E seus derivativos: “Easter” - inglês e “Ostern” - alemão (Páscoa).






Atenciosamente,

“Em Caridade”

Irmão Ednelson


Última edição por "Ekklésia Christiana" em Qui Abr 05, 2012 9:55 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Congregação Cristã e festividades pagãs: Páscoa

Mensagem  Cris@Vasconcelos em Qui Abr 05, 2012 4:52 pm



Seria uma meia-noite fatídica para aquele faraó, conforme definição divina:

"Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa. Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir. Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre. " Êxodo 12:21 a 24

Um notável livramento foi prometido para a servidão de tantos séculos.

"E aconteceu, à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito... " Êxodo 12:29 a 30

Um faraó horrorizado diante da tragédia disse a Moisés: " Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; e ide, servi ao SENHOR, como tendes dito. Levai também convosco vossas ovelhas e vossas vacas, como tendes dito; e ide, e abençoai-me também a mim. " Êxodo 12:31 a 32

Quatrocentos e trinta anos de escravidão seriam deixados para trás...

"Esta noite se guardará ao SENHOR, porque nela os tirou da terra do Egito; esta é a noite do SENHOR, que devem guardar todos os filhos de Israel nas suas gerações. " Êxodo 12:42

Devemos considerar que Moisés avistou o invisível, ele tinha conhecimento de um outro primogênito, a saber o Cristo, cujas profecias ele também participou, ambicionando uma outra recompensa.

"Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível. Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse. Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram. " Hebreus 11: 24 a 29

Tudo o que ocorreu naquele dia ocorreu pela fé, a páscoa, a aspersão do sangue, que permitiu a um povo, sua consequente (não definitiva) redenção da morte.

Ainda assim por tal benevolência, o desprezo da criação, fermentou o pecado, indicando um retorno a escravidão, como alertou um apóstolo pleno do Espírito a determinada igreja:

"Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade. " 1 Cor. 5:6 a 8

A vanglória mancha a liberdade em Cristo, o primogênito dentre os mortos.

A graça sem o fermento do pecado, veio pela fé em Cristo, consequentemente a sua paz, e o acesso irrestrito com Deus em um mesmo Espírito..

O sangue de Cristo (nossa páscoa), foi aspergido sobre toda a carne, para que desse modo pudesse, desconsiderar o fermento da maldade exterior, substituído no interior do ser humano, com os ázimos da sinceridade e da verdade.

No assombro de Moisés no Monte Sinai, veio a solução proposta por Deus para sua criação, mediante o sangue da aspersão definitiva:

"E tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo assombrado, e tremendo. Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; A universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel. " Hebreus 12:18 a 24

Certamente que o sangue esteve sobre as casas israelitas, não permitindo a destruição de um infante, muito mais agora, o sangue do Cordeiro Pascal Jesus, está sobre as casas de Deus, que somos nós, nos protegendo da morte eminente, até que ele volte.

Coisas que devemos considerar todos os dias!

Eldier.


Cris@Vasconcelos

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