Relíquias e Mercantilização da Fé

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Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Sex Ago 26, 2011 5:32 pm


Saudações cristãs,

Amados...






Introdução



Sabemos que a apostasia e seus múltiplos desvarios se fazem introduzir junto ao seio eclesial de maneira audaz e estratégica. Já em finais do Período Apostólico concepções e práticas substancialmente distintas do primitivo legado transitavam sem maiores restrições entre os diversos núcleos “cristãos” - e sob o aval de seus respectivos ministros. Deste modo, Constantino “o Grande” veio apenas a consolidar e/ou formalizar uma configuração doutrinário-organizacional já em voga.


Dentre as muitas e sorrateiras vias pelas quais a apostasia ardilosamente se insere, temos a “materialização da fé”. Deste modo, aquilo cuja natureza e modalidades caracterizam-se como sendo estritamente espirituais ou abstratas (conforme originalmente proposto - João 4:23-24) faz-se gradualmente suplantar pela demarcação tangível.


Disto decorrem processos ainda preliminares como a simbolização ou simbologia. Num nível secundário temos a iconografia, e como sua cabal expressão a iconodulia*.


Ora, embora reiteradamente advertidos acerca de tais rudimentos e suas nocivas consequências, volta e meia, fazemo-nos presas de nossas próprias vaidades, razão pela qual a vigilância se nos coloca como uma necessária salvaguarda.



Acessórios litúrgicos ou relíquias?



O protestantismo e sua histórica postura iconoclasta** por vezes ignora o fato de que o “raio de alcance idólatra” estende-se para muito além de sua acepção meramente etimológica. Deste modo, hábitos elementares podem vir a conter ou hospedar pendores dessa ordem.


O que dizer da usual relação de um protestante clássico - ou mesmo pentecostal -para com a “Bíblia” (o objeto) senão de uma “veneranda dependência”? Algumas agremiações, inclusive, tendem a reservar um determinado nicho em seus recintos ou templos, no qual as Escrituras são solenemente dispostas (o mesmo aplicando-se às residências). O livro, pois, passa a revestir-se de uma conotação supra-instrumental, sendo-lhe conferidas feições nitidamente operativas. Temos, por assim dizer, um “amuleto cristão”...


Daí, nossa cautelar conduta para com os denominados acessórios ou utilitários litúrgicos. Devido à sua irregular aplicabilidade, véus, hinários, exemplares bíblicos e demais impressos (oficiais) encontram-se, atualmente, sob rigorosos parâmetros - no que concerne à uma adequada manipulação.


Atendo-se aos extremos - descaso e exacerbada solicitude – aprouve a nosso Corpo Ministerial Central emitir seu regular parecer acerca dos “utilitários litúrgicos” e o necessário descarte dos mesmos, em conformidade com dispositivos anteriormente expedidos (63ª Assembleia Ministerial Geral - 1998 / Tópico 5).


Estabelece-se, pois, que após seu período útil, bíblias, hinários, relatórios (entre outros) sejam encaminhados à Distribuidora Central a qual ponderará quanto a sua possível recuperação ou terminal incineração. Semelhante regra faz-se extensiva aos véus.


Nossos ministros consideram que a eventual negligência para com tais objetos é ainda menos deletéria que um suspeito ou provável excesso para com estes. Todo e qualquer “tendencionismo relicarista” (ou assim caracterizado) encontra-se sob proscrição, devendo ser minuciosamente averiguado.


E a despeito disso, sequer nossas casas de oração permanecem ilesas. Somos orientados a não conferir ao prédio - e suas dependências - qualquer predicativo ou diferenciado tratamento. Sua manutenção e posse sustentam-se no critério aplicabilidade, vindo-se a relegá-los à inutilização por ocasião de sua constatada insuficiência (permuta, venda, doação).



Prenúncios / Mercantilização da Fé



Atualmente temos nos deparado com prévias de um relicarismo “sui gêneris”. Há alguns anos, mediante a propagação de algumas gravuras e/ou fotografias alusivas à primeira casa de oração da Congregação Cristã em território nacional (Santo Antônio da Platina / Paraná) nossos ministros viram-se envoltos num entrave. Em menos de um ano, as mais diversas narrativas paralelas (ou fábulas) vieram a se desenvolver em torno da imagem citada. Acrescente-se a isso, a suposta descoberta de um “anjo guardião” ao fundo (quadrante superior direito).


Simultaneamente, fotos, correspondências e demais pertences atribuídos a Francescon (dentre outros colaboradores eclesiais) vieram a tornar-se alvo de especulações variadas, além de uma demasiada e mórbida centralização em sua pessoa e feitos. Nisto teríamos o protótipo de um construto comprometedoramente mitológico (vide tópico “Louis Francescon: a medida régia?”).


Como um dos desdobramentos deste conturbado estágio, observamos hoje um significativo aumento no número daqueles comumente designados como colecionadores ou “caçadores de relíquias”. Não obstante, nossos superiores se posicionem de maneira explicitamente aversa a prática em questão, a obstinada índole os impele em sua torpe empreitada.


Alçando-se os pendões de um pretenso “resgate histórico” (identidade e memória) enveredam-se por tortuosas vias, numa obcecada e sacrílega “garimpagem”. Além da inevitável “inflação egóica” decorrente de seus “notáveis achados” (“Vaidade de vaidades”...), indiretamente operam como precursores de uma futura composição ou levante de cunho personalista.


E como o oportunismo mercantilista se encontra continuamente a espreita, já se registram inúmeras e onerosas propostas. Pode-se citar, entre outros, um suposto exemplar da primeira edição do hinário intitulado “Inni e Salmi Spirituali”, à disposição daqueles que se prontificarem a desembolsar a bagatela de seis mil reais...




Conclusão



O “Legado Apostólico” e seu integral conteúdo sempre estiveram à mercê de toda a sorte de atentados. Por essa mesma razão Paulo, Judas (dentre outros personagens) exaustivamente advertiram aos seus contemporâneos quanto às medidas e cuidados devidos. Apesar da objetividade e vigor de suas admoestações, as ocorrências subsequentes vieram a demonstrar o quão vulneráveis nos encontramos à apostasia e seus embustes. O caráter essencialmente espiritual da Dispensação Neotestamentária esteve – desde o primitivos dias – entre os prioritários alvos de nosso “opositor-mór”, daí advindo suas reiteradas investidas. Tal qual sucedeu para com a Igreja Constantiniana - e mesmo para com algumas vertentes protestantes e/ou derivadas - o mesmo nos pode sobrevir por meio de iniciativas, à primeira vista, irrelevantes ou inofensivas.


Acautelemo-nos, pois.



_____________________________________________________________
* Do grego translit.: "icone" (imagem) e "dulia" (culto).
** Diz-se daquele que se opõe e/ou destroi à imagens.








Atenciosamente,

"Em Caridade"

Irmão Ednelson


Última edição por "Ekklésia Christiana" em Sex Ago 26, 2011 10:48 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  Paulo em Sex Ago 26, 2011 10:24 pm

Importante assunto. Lembramos que em nossa Pátria - creio que igualmente nas demais - os exemplares do lábaro, quando em más condições de apresentação, são incinerados.

Já o colecionismo é prática muito usual no meio secular. Desconhecia a cotação do primitivo livreto de canto.

Como costume do mundo, vemos que os Clubes de Futebol alteram inúmeras vezes suas camisas, de forma a oferecê-las à torcida como meio de obtenção de receita. E receita assim nunca foi nossa aspiração.

E nossos irmãos que, de certa forma, foram ou são baluartes na Instituição, comportamento semelhante aos dos apóstolos é o que se deseja e que de fato tem sido. Graças a Deus.

Paulo

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Re: Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  Sergio Teixeira em Qua Ago 31, 2011 9:30 am

Já estamos nos mercantilizando aos poucos, sem que as pessoas tomem conhecimento do fato, como se estivéssemos entorpecidos.

É prática comum - e já antiga - serem comercializados em nosso meio (mas não oficialmente) véus cujo preço chega a utrapassar em muito os R$ 100,00.
O que é, em último caso, um incentivo às vaidades que o uso do véu deveria anular.
O Ministério, embora sabedor do fato há mais de 20 anos, não fez nenhum ensinamento a esse respeito.

Já existe uma antiga e enorme feirinha beirando a porta do Brás, amparada unicamente pelo "detalhe técnico" de não estar "na frente" da Congregação.
Ali, muitos de nossos irmãos tiram o seu sustento.
Parte dessa feirinha acompanha sistematicamente as reuniões anuais de ensinamentos em todo o Brasil, e também não há ensinamento algum a esse respeito.

Contudo, o Senhor Jesus não expulsou os vendilhões e cambistas de dentro do templo, mas de seus entornos, de seus acessos.
Mas os expulsou efetivamente, e não podemos apensas fingir que "desconhecemos" essa passagem, pois ela é bastante divulgada nos meios cristãos.

E da mesma forma que "seria" lícito aos nossos irmãos hoje em dia tirarem o seu sustento através dessas feirinhas, da mesma forma também "seria" lícito aos cambistas e vendedores exercerem o seu comércio ali, já que estavam beneficiando os judeus peregrinos, que tinham de trocar suas moedas e eventualmente adquirir aves e gado para sacrifício.
O Senhor Jesus entendeu "que a casa de meu Pai é casa de oração" não referindo-se restritamente ao imóvel, mas a todas as demais circunstâncias que envolvem o conceito do que seja uma casa de oração.

Se tivermos tais coisas como "comuns e aceitáveis", igualmente será "comum e aceitável" praticar outras coisas aparentemente "sem importância".

Contudo, somos cristãos, e para nós a Doutrina de Cristo é a que prevalece sobre todas as demais, não importando o que se diga em contrário, e muito menos quem o diga .
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Re: Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  Luiz Flavio N. Facci em Qua Ago 31, 2011 11:39 am

A Paz de DEUS esteja em nossos corações.

As únicas coisas que escuto no som de casa ou do carro são Brasília Super Rádio FM (músicas e notícias), Rádio Bandeirantes (notícias), CBN (notícias) e uns pouquinhos CDs de hinos da Congregação Cristã.

E eu não tenho a mesma facilidade (questão de lugar onde mora) que muitos tem de conseguir CDs de hinos para ouvir.

Há cerca de 18 anos, resolvi visitar minha nora, minhas netinhas e meu filho em Porto Alegre-RS.
Por motivos fortes, precisei fazer a viagem em cinco (5) dias.
Eu só tinhas duas fitas K7, que ouvi direto nesses 5 dias.
Foi maravilhoso, só que podia ter sido melhor se eu tivesse mais fitas.

Já entrei num site de hinos da nossa Igreja, fiz downloads de hinos, mas como sou muito ruim nesse assunto, demorei demais a baixar hinos. Gastei muito tempo.
E o pior é que eu não tinha tempo para ouvir antes de baixar.
Quando fui ouvir, meu DEUS, como eu tinha baixado lixo!

Gostaria demais de ter CDs com hinos cantados da Congregação Cristã no Brasil.
Quanto a esses hinos, faço as seguintes restrições: só hinos da Congregação, dentro da partitura (a melodia e a harmonia não podem ser alteradas), o ritmo pode ser um pouquinho mais livre, quero dizer: não precisa ser muito rígido na metrificação, pode haver um floreiozinho, mas pouco.
Não pode ser em ritmo de forró, rock, pagode, etc.

Vou preferir o hino cantado, em vez de só tocado, porque acho a letra dos hinos muito inspiradas por DEUS. São muito bíblicas.

Um dia DEUS vai me abençoar nisso, de aparecer essa oportunidade.
E no dia que aparecer, eu compro.

DEUS nos abençoe.
Luiz Flavio.


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Re: Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  Sergio Teixeira em Qua Ago 31, 2011 1:07 pm

Minha preferência musical sempre recai em peças tocadas, e não cantadas.
No entanto, no que diz respeito aos hinos da Congregação, é exatamente o cântico que eleva a minha alma, é nele que sinto o conteúdo do louvor cristão.

Por falar nisso, existe muita especulação a respeito do futuro hinário n. 5 e no YouTube já tem uma porção de hinos "candidatos" a figurar naquele hinário.
Ouvi alguns poucos que agradaram à alma, porém a maioria deles mais se assemelha ao "trivial ligeiro" gospel.
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Re: Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Ter Set 20, 2011 3:43 pm


Saudações cristãs,

Amados...






Alguns irmãos inquiriram-me (amistosamente e por via privada) acerca desta ou daquela pretensa "relíquia" e sua efetiva mercantilização ou comercialização.


Julgou-se, entre outras coisas, improcedente (e quiçá insano) que um exemplar de nosso hinário-protótipo (“Inni e Salmi Spirituali”) estivesse à disposição de colecionadores e demais "caçadores de relíquias" sob a cifra de seis mil reais.


Ora, embora o presente fórum se abstenha de qualquer enunciação de cunho difamatório ou depreciativo, pareceu-me oportuno apresentar-lhes um dentre os diversos links dessa categoria para os exclusivos fins de averiguação/apreciação. Trata-se de dois exemplares, o primeiro deles estimado em 6.000.00 reais e o segundo em 3.000.00. Além dos exemplares, poderão ser também adquiridos alguns "porta-chaves" alusivos as nossas casas de oração (63,00 reais).



http://lista.mercadolivre.com.br/Hin%C3%A1rio-Musical-%C3%98-Congrega%C3%A7%C3%A3o-Crist%C3%A3_DisplayType_G



Temos, além do link mencionado, contatos outros (acessíveis, sobretudo, a colecionadores e "caçadores de relíquias") cujos acervos incluiriam "peças únicas" como cartas e pertences pessoais diversos, além de imagens inéditas (fotos) supostamente atribuídos a Francescon, Rosina Balzano e demais colaboradores ministeriais...



Acautelemo-nos, pois...






Atenciosamente,

"Em Caridade"

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Re: Relíquias e Mercantilização da Fé

Mensagem  Sergio Teixeira em Ter Set 20, 2011 6:24 pm

O pior é que esse vendedor também oferece dois livros de São Cipriano (o ex-feiticeiro)...
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