Louis Francescon: "A medida régia"?

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Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Seg Ago 22, 2011 4:35 pm


Saudações cristãs,

Amados...





Dentre as muitas características comuns a toda agremiação de cunho herético-sectarista, temos a mitologização* para com figura do “mentor” ou “pioneiro” como um dos seus mais distintivos traços.


Deste modo, o "tutor-denominacional" passa a dispor de um patamar "extra mundi", como recipiendário que é de um suposto depósito.


Para fins de ilustração, remetamo-nos aos diversos segmentos de ordem pára-protestante e seus respectivos "arautos" como uma concreta expressão do processo em pauta. Da exacerbada ênfase atribuída a Charles Taze Russel a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (de Pensylvânia) veio a ser designada como "a falange russelita". De igual modo, as alas adventistas mais afeitas a Ellen G. White e seus escritos, encontram-se sob a alcunha de "cismáticos elenitas".


Mas, o que dizer daqueles que estando sob a égide de Louis Francescon (e suas particulares concepções eclesiológicas) alegam ater-se às suas pisadas?...


O crítico oposicionista S. V. Milton em sua obra literária “Conhecendo a Congregação Cristã no Brasil”, pejorativamente intitula um de seus capítulos como “No Princípio era Francescon”... Sua sugestiva paráfrase (João 1:1) induz-nos a supor que tenhamos em Francescon um “divisor de águas” ou o “medianeiro” entre distintos períodos. Inversamente, no entanto, a heresiologia contemporânea hesita em dirigir-se à Congregação Cristã e seus aderentes como se tratando de “francesconitas”...


Mas, por que o faria se em Francescon temos “O Baluarte” da atual dispensação? Pelo simples fato de explicitamente nos opormos a todo e qualquer tendencionismo personalista (e seus nocivos desdobramentos). Ora, o personalismo é por sua própria natureza sacrílego – conforme nô-lo testifica a primitiva história eclesiástica - caracterizando-se como o precursor de todo o cisma (I Corintios 3:4).


Pelo que se depreende da literatura e experiência (“in loco”) acumuladas até o presente momento, pode-se dizer que Francescon é - salvo isoladas exceções - situado em polaridades um tanto antagônicas. Assim, se alguns o tem como “O restaurador das ruínas do Tabernáculo” (de Davi / Atos 15:16), outros o estigmatizam como “aventureiro e inconstante”. Uma breve estada na Itália muito nos pode fornecer quanto à reconstrução desse intrincado mosaico. Da “Congregazione Cristiana Pentecostale” gérmem ou embrião do denominado “pentecostalismo italiano” e suas congêneres (“Congregazione Cristiana Pentecostale in Itália”, “Assemblea di Dio in Itália”, “Chiesa Cristiana”...) podemos encontrar pareceres consideravelmente distintos no que se refere a Francescon e seus empreendimentos. Enquanto uma determinada fração o reputa como “apóstolo”, outra lhe é reticente. Semelhante fato ocorre em território argentino. A “Asamblea Cristiana en la Argentina” (2) apresenta-se relativamente heterogênea no que concerne ao seu legendário fundador. Parte de seu Presbitério atribui sua regular implantação a Giácomo Lombardi, ao passo que outra a Luis Francescon. Uma terceira composição ainda os situa em condição equânime e co-dependente. Lucia Menna em momento algum é mencionada como tal, exceto, em nível adjutório.


Conforme se há de deduzir, os Estados Unidos da América não fogem a esta regra. “Christian Church of North America” (CCNA), “Assembly of God” e vertentes correlatas dividem-se em relação à efetiva representatividade de Francescon.


A alegada inconstância – por parte de alguns – diz respeito, mormente, a sua propensão a variabilidade.
A exemplo disso, temos a “Questão Dominicalista”. Em meados de 1905 (após o regresso de uma viagem a Itália) Francescon prontamente se indispõe com seus “conservos” Beretta, Ottolini e Menconi quando a integral observância do “Repouso Dominical” (como sendo análogo ao “shabatth” veterotestamentário). Sua percepção paralelística (3), no entanto, deflagra-se equívoca ao caracterizar o Memorial Anual da Paixão e Morte como uma prescrição também dominical (gr. translit.: “klasei tou artou” *). Posteriormente, contudo, retifica tais pareceres.


Vejamos, pois, que Francescon veio a depurar-se em suas concepções ainda imprecisas, num gradual e ascendente trajeto.


Similar posicionamento aplica-se ao seu renitente congregacionalismo. Não obstante, abdicando do inicial núcleo da “Assamblea Cristiana di Chicago” em razão desta haver se rendido a uma modalidade eclesiológica institucionalizada (“Unorganized Italian Christian Churches of U.S.A.”) acata a legalização jurídico-organizacional da Congregação Cristã no Brasil, além de sua congênere italiana.


Atualmente tem-se verificado uma continua e suspeita menção a pessoa de Francescon bem como aos seus esparsos escritos. Sob alegações pretensamente “restauracionistas”, opositores os mais diversos recorrem à adequação textual, atribuindo ao “Pioneiro” feições ou nuances um tanto escusas (e historicamente desprovidas da mais remota verossimilhança).


Sutis adulterações (interpolações, supressões, acréscimos) já se fazem observáveis aos mais perspicazes leitores. Dentre estes, temos Kei Yuasa e Francesco Toppi cuja precisão documental e neutralidade axiológica apresentam-se como ímpares no âmbito da reconstituição biográfica .


O momento atual, portanto, se nos descortina como oportuno à reflexão e a síntese.


Conferir a Francescon os predicados de um avatar* ou "titã-apostólico" não nos situaria num retrógrado e comprometedor estágio?


Em verdade, a cada qual compete àquilo que lhe é próprio:



Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. (Romanos 13:7 - da estratificação predisposta)



Exceder-se, todavia, nos faz vulneráveis à incúria.


Oxalá, não nos suceda o mesmo que hoje se constata junto às alas derivadas do movimento inicialmente proposto por Gunnar Vingren e Daniel Berg, a saber, a elevação de seus fundadores a uma categoria “co-redentora”.


No que concerne a nós, inconteste é o fato:


- Francescon pode haver plantado Miguel ou Vitório regado; a Deus, no entanto, deve-se o crescimento... (vide I Coríntios 3:6)

Acautelemo-nos, deste modo, para com nossos abnegados "francesconitas" e seus torpes ardis...

___________________________________________________________________________________________

(1) Do grego μυθος / translit.: "mithós" - processo pelo qual um individuo comum passa a compor uma representação simbólica e coletivamente construída.
(2) Sobretudo seu núcleo matriz ("Asamblea Cristiana Evangélica" - Villa Devoto / Buenos Ayres).
(3) Que alude ao princípio da analogia ou correspondência vétero-neotestamentárias. Nesse caso, a supressão do Cerimonial Pascal (anual) pelo Memorial da Paixão e Morte / "Santa Ceia".
(*) Liter.: "comer pão" - referente às refeições diárias meso-orientais, cujo elemento-base consistia em pão.
(**) Do sânscrito "avatāra" - emanação e/ou extensão da divindade sob uma manifestação corpórea.






Atenciosamente,

"Em Caridade"

Irmão Ednelson


Última edição por "Ekklésia Christiana" em Seg Ago 22, 2011 7:08 pm, editado 2 vez(es)

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  Sergio Teixeira em Seg Ago 22, 2011 4:54 pm

Muito embora devamos a Francescon as nossas mais respeitosas lembranças, devemos todavia agradecer ao Deus-Pai por ter enviado um de seus servos para iniciar esta obra em nossas terras.
Isso foi muito benéfico, sem dúvida.

No entanto, chega-se às raias do exagero ao tentarmos colocar Francescon em um imaginário pedestal.
Alguém já chegou à insensatez de colocar à entrada das igrejas uma placa com uma das citações de nosso fundador onde estava grafada com todas as letras o nome de nosso inimigo comum, o qual não tem e jamais teve parte com a Graça.

E se por um lado não devemos prestar-lhe culto, louvor ou adoração, todavia não nos custa reconhecer que foi um bom trabalhador em prol da difusão do Evangelho, e que merece sim o nosso reconhecimento.
Melhormente sem ênfase demasiada ou exageros de qualquer espécie.

Mas o seu rastro pode ser considerado bom, apesar de tudo que se possa dizer em contrário.
O próprio apóstolo Paulo "enfiou muito caco no texto", porém no geral sua participação foi muito importante para todos nós. E guardadas as devidas proporções, assim o foi também Francescon.
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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Seg Ago 22, 2011 6:39 pm


Saudações cristãs,

Irmão Sérgio...





Breves e coerentes considerações.

E a propósito, a menção ao já suspenso quadro ("Constituição da Igreja de Deus") vem a ilustrar a pauta proposta.




Atenciosamente,

"Em Caridade"

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Qui Set 08, 2011 10:52 pm


Saudações cristãs,

Amados...





A despeito do tema - e para fins de reflexão - uma breve alusão a um suposto "francesconismo" :


"Os mormonistas são seguidores de Jesus ou de Joseph Smith?
Os russelitas são seguidores de Jesus ou de Charles T. Russell?
Os kardecistas são seguidores de Jesus ou de Hypollite Léon Denizard Rivail?
Os 'CCBistas' são seguidores de Jesus ou de Luigi Francescon?"



(http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20100509125412AAM9b1c)




Atenciosamente,

"Em Caridade"

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  THEODORO em Sex Set 09, 2011 5:23 am

Caro irmão,

Confesso ao irmão que nos meus 27 anos de batizado eu nunca vi um culto que ao menos se mencionasse o nome de Francescon, isso demonstra claramente que se ele fosse verdadeiramente venerado ou colocado em pedestais com certeza pelo menos o seu nome ou seus escritos seriam mencionados e difundidos em cultos e isso não ocorre. Como disse o nosso irmão, ele foi um bom trabalhador e merece a sua honra, contudo, sem idolatria e personificação do mito ou cairíamos na mesma armadilha que sucumbiu o catolicismo. Deus abençoe!!!!

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  Luiz Flavio N. Facci em Sex Set 09, 2011 6:51 am

Que a Paz de DEUS esteja conosco.
Faço minhas as palavras do Irmão Theodoro.
DEUS nos abençoe.
Luiz Flavio.

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  Sergio Teixeira em Sex Set 09, 2011 9:46 am

Realmente, irmãos, no transcorrer dos cultos é raríssima qualquer menção - por mais leve que seja - ao irmão Francescon.

O tal "francesconismo" ocorre entre o povo, em pequenos grupos daqui e dali, principalmente entre alguns membros relativamente antigos na igreja.

Diga-se de passagem, tais grupos nem sempre são apenas "francesconistas", mas também apegados a figuras como o "papai" ou o "titio" ou "o saudoso irmão Fulano" ou "o saudoso irmão Betrano", os quais chegam até mesmo ser medida de tempo, ou indicativos de época: "No tempo do saudoso irmão Fulano" ...

Acho que no final das contas isso é apenas um fenômeno involuntário, e que as pessoas não se apercebem da interpretação que alguém poderá dar a esse tipo de comportamento.

Nenhum servo de Deus em sã consciência intentará propositadamente "tirar a Glória do Pai Eterno" para colocá-la sobre uma pessoa dentre os homens, por mais privilegiada que possa ser ou ter sido.
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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Sex Set 09, 2011 11:23 am


Saudações cristãs,

Amados...






Realmente, pouco se ouve acerca de Francescon e sua aquilatada trajetória ao longo de nossos Serviços Sacros, uma vez que a postura ou conduta anti-personalista é pontualmente reiterada em nossas periódicas reuniões e demais eventos oficiais.


O "francesconismo" em questão, porém, dirige-se a uma parcela ou fração por si mesma escusa. Trata-se das alas ou frentes de ordem oposicionista. Estratégicamente, recorrem a Francescon e seus parcos escritos com o prioritário fito de adequá-los às suas peculiares e torpes reinvindicações. Utilizam-se, pois, da eminente figura do "Pioneiro" como um sutil ancoradouro e salvaguarda...


Alegam - entre outras coisas - que Francescon veio a ser solapado em suas concepções e pareceres, sendo-lhe usurpada a histórica proeminência.


Deparamo-nos, portanto, com um "francesconismo" meticulosamente forjado ou não genuíno, cujo escopo-mór consiste numa ardilosa e consistente manipulação informativa.


Haja em nós discernimento...






Atenciosamente,

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  Sergio Teixeira em Sab Set 10, 2011 10:29 am

Quando a esse "francesconismo" ao qual estamos atualmente nos referindo, tenho notado uma corrente de opositores que usa o nome de Francescon e sua história com o intuito claríssimo de combater a Congregação de forma ferrenha, e ainda outra corrente de pessoas que idolatra Louis Francescon.

Essas duas correntes certamente não condizem com a doutrina dita "apostólica" que professamos.

Como povo de Deus, sejamos ponderados. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
E que jamais sejamos opositores de qualquer coisa, senão do pecado e da obra de nosso inimigo comum em nós mesmos.
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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  "Ekklésia Christiana" em Sab Set 10, 2011 11:20 am


Saudações cristãs.

Irmão Teixeira...





Mediante tão ponderadas considerações, o que poderia lhe dizer, senão:

Amém! ... Que assim se faça!




Atenciosamente,

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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

Mensagem  Sergio Teixeira em Ter Set 20, 2011 10:39 am

Acho que esse opositores, no lugar de Francescon, não teriam enfrentado cerca de 70 quilômetros dentro de uma mata fechada, sem nada conhecer daquele ambiente, sob o ruído inquietante e ameaçador de "jaguaras terríveis" (onças), até finalmente chegar em Santo Antônio da Platina.

Para que pudesse escapar das tais "jaguaras", o Senhor deu a ele a sabedoria de subir em árvores finas, onde aqueles felinos não conseguem subir - mas ficam em baixo, sem parar de bramir, ou de tentar subir .

Em campo aberto, a velocidade de marcha de um homem é de aproximadamente 5km por hora, e o rendimento máximo teórico é de 12 horas por dia.
Em uma mata esses números caem bastante, e as condições de marcha ficam muito mais severas.

Vemos assim que é muito mais cômodo ser opositor, contencioso ou mero "carregador de bíblia" do que realmente lançar os pés ao caminho e obedecer destemidamente ao mandado de Deus.
Mas vemos também que Deus dá vitória sobre toda provação.
Louvado seja Deus.
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Re: Louis Francescon: "A medida régia"?

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